Os efeitos da música na saúde

Os efeitos da música na saúde

A música exerce uma enorme influência sobre as pessoas, tendo efeitos profundos na mente e corpo. Esta tem-se provado muito eficaz, especialmente nos dias que correm, na gestão do stress. Pode ser usada como uma ferramenta importante para reduzir a ansiedade, melhorar o humor, evitar a fadiga, aumentar a motivação e o foco, entre tantos outros benefícios.

As sonoridades musicais têm sido usadas como terapia para promover a saúde emocional, bem como para reduzir a tensão em blocos operatórios, enfermarias e salas de espera. Ajuda também pacientes na diminuição do stress e no aumento do seu bem-estar psicológico.

Uma melodia mais rápida faz com que fiquemos mais alertas e ajuda-nos a concentrar melhor. Já uma batida mexida deixa-nos mais otimistas e positivos sobre a vida. Enquanto que um ritmo mais lento ajuda-nos a relaxar e a libertar da agitação do dia a dia.

Alguns estudos sugerem que a música de fundo, ou a música que está a tocar enquanto o ouvinte está focado primariamente numa outra atividade, melhora o desempenho das tarefas cognitivas.

Apesar de ainda existir alguma resistência, a música ambiente está a provar-se cada vez mais relevante em hospitais, consultórios, farmácias, bem como em outros espaços ligados à saúde. Certos artigos científicos concluem até que a taxa de sucesso de cirurgiões que operam com música é superior aos que operam no silêncio, uma vez que alivia a tensão e aumenta o foco do cirurgião.


A música em ambiente hospitalar


Para corroborar a importância da música entre profissionais de saúde e pacientes, estivemos à conversa com a Dra. Maria João Brito, coordenadora da Unidade de infeciologia do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.

A especialista em infeciologia pediátrica começou por contextualizar que o internamento é sempre muito pesado, uma vez que se tratam de crianças que estão doentes e privadas do ambiente que lhes é familiar. A rotina dos exames e dos procedimentos médicos tem um grande peso no seu internamento, mesmo estando acompanhados pelo pai ou pela mãe. Para os profissionais de saúde esta não é, obviamente, uma realidade que seja arredada de ânimo leve.

Neste sentido, os profissionais da unidade de infeciologia do Hospital Dona Estefânia, organizaram-se por forma a implementar um serviço de música ambiente no seu espaço. Começaram apenas pela área de admissão de utentes, mas rapidamente alargaram a toda a unidade de infeciologia, tal foi o êxito do efeito da música nos pacientes e nos profissionais de saúde.

A música alivia a pressão


Segundo a experiência da Dra. Maria João Brito, “a música faz muita diferença num ambiente hospitalar, pois alivia a pressão, torna as pessoas mais suaves e, no fundo, funciona como um encantamento, deixando uma harmonia no ambiente da unidade”.

Mencionou também que, “por mais que os profissionais de saúde estejam treinados, existe uma pressão, principalmente quando os doentes estão instáveis ou não estão bem” e que “a música vai variando consoante o dia, consoante a disposição do que se está a passar no serviço.”

A coordenadora da unidade explicou-nos ainda que a música contagia todos os que por lá se movimentam, passando pelos médicos de outras especialidades que visitam a unidade de infeciologia, até à comunicação social. Não se limitando, portanto, apenas aos profissionais de saúde daquela unidade, aos utentes ou aos pais das crianças.

“Eu acho que [a música] até influencia o sucesso das intervenções que se fazem, porque tira alguma pressão. Por exemplo, é completamente diferente um enfermeiro estar a fazer uma colheita de sangue difícil a uma criança ou estar a colocar um soro, num silêncio, com a criança a chorar e num ambiente de tensão, do que haver música. […] Nós temos outras maneiras também de humanizar o espaço, que é através das pinturas nas paredes. […] Mas a música é fundamental.”

Para a médica, a música deveria existir em todos os hospitais e em todos os locais dos hospitais: “Não só nas enfermarias, [mas também] dentro dos blocos operatórios, dentro dos laboratórios e das salas de colheitas” refere. “A música ajuda-nos a trabalhar melhor, tira-nos a pressão e torna-nos mais harmoniosos no nossa dia a dia ” conclui.




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